
NATAL SOLAR
por Julius Evola

Sobre o
plano espiritual, a doutrina da raça deveria ter pelo menos, entre outros, dois
resultados de uma grande importância. Em primeiro lugar, provocando um retorno
às origens, deveria esclarecer os significados mais profundos da tradição e dos
símbolos, obscurecidos no curso dos milênios e que hoje não sobrevivem senão
fragmentados e sob a forma de costumes ou festa tradicionais. Posteriormente, a
doutrina da raça deveria revivificar a concepção do mundo e da natureza,
limitar tudo e o quanto de racionalismo, de profano, de científico, e de fenomenológico,
há séculos, seduz o homem oriental, pois tudo isso está estritamente
relacionado. Quanto ao sentido vivente e espiritual das coisas, dos fenômenos,
encontramos as melhores referências nas concepções solares e heróicas que são
próprias das mais antigas tradições arianas.
Poucos
suspeitam que estas festas também celebradas na época dos grandes arranha-céus,
televisão, grandes movimentos de massas nas cidades, perpetuam uma antiguíssima
Tradição, que nos referem (conduzem; dirigem)
aos tempos, onde, quase no alba (aurora; amanhecer)
da humanidade, se iniciou o movimento ascendente da primeira civilização
ariana. Uma tradição na qual se expressa menos uma crença particular dos homens
que a grande voz das próprias coisas.
À este
respeito, é preciso dizer, acima de tudo, que na origem, a data de Natal e a do
princípio de ano, detalhe geralmente ignorado, coincidiam. Esta data não era
arbitrária, mas que estava em relação com um acontecimento cósmico preciso: o
solstício de inverno. Na realidade, o solstício de inverno cai em 25 de
Dezembro, que posteriormente se converteu na data de Natal, mas que na origem
tinha um significado especialmente "solar", e isto já na Roma antiga.
A data do nascimento, em Roma, era a do novo Sol, Deus invencível —Natalis Solis Invicti—. Com ela,
dia do sol novo —Dies Solis Novi—
na época imperial começava o ano novo, o novo ciclo. Mas este "Natal
Solar" de Roma na época imperial, nos remete por sua vez à uma tradição
mais antiga de origem nórdico-ariana. Pelo demais, o Sol, a divindade solar, se
menciona já entre os dei indigetes.
As divindades das origens romanas, herdeiras de ciclos de civilizações ainda
mais antigas. Na realidade, a religião solar do período imperial, foi muito
amplamente recuperada, quase como um renascimento, lamentavelmente alterado por
diferentes fatores de "decomposição", da antiga herança ariana.
A
pré-história itálica pré-romana é, por outra parte, muito rica em vestígios de
cultos solares: carruagens solares, discos com raios, cruzes de todos os tipos,
sem exclusão da suástica, gravadas, por exemplo, sobre os machados arcaicos
encontrados no Piemonte e Ligúria (cidades italianas).
Se pode assim constatar a passagem, na Itália antiga, de uma tradição que,
desde a Idade de Pedra, deixa sinais idênticos ao longo das rotas das grandes
migrações ariano-orientais e nórdico-arianas. Símbolos, insígnias, hierogramas
(grafia hierática [Papiro finíssimo, que só se usava na
escrita hierática]), rudimentares anotações de calendários ou de
astrologia, representações sobre vasos, pratos, copos, armas, ornamentos,
enigmáticas distribuições e organizações de pedras rituais ou de cavernas;
logo, mais tarde, ritos e mitos que sobreviveram nas civilizações mais tardias.
Se se estudam estes vestígios segundo os novos pontos de vista, próprios das
pesquisas espirituais e raciais do mundo das origens, se encontram provas
concordantes e unívocos (de um só significado)
sobre a presença de um culto solar unitário, centro da civilização dos povos
arianos primordiais, mas também da importância que tinha a data de
"Natal" para eles, isto é, da data do solstício de inverno, o 25 de
Dezembro.
Para evitar
qualquer equívoco no espírito de alguns leitores, enfatizamos que cada vez que
falamos de um culto solar pré-histórico, não entendemos uma forma inferior de
religião naturalista e idolátrica. Se é uma fábula estúpida que a antiga
humanidade e, sobretudo, a da grande raça ariana, divinizar supersticiosamente
os fenômenos naturais, pelo contrário, é completamente exato que a Antiguidade
compreendeu os fenômenos naturais, essencialmente como símbolos sensíveis de
albergar significações espirituais, isto é, mais ou menos, como suportes
oferecidos aos sentidos, pela natureza, para pressentir estes significados transcendentais.
Quem tenha podido dizer em ocasiões que aquilo aconteceu em outros troncos e em
outros povos, podemos dizer-lhe, embora isso não prove nada, que a passagem de
certos cultos cristãos à formas supersticiosas, é bastante freqüentes em
algumas populações incultas e fanáticas.
Superada
qualquer forma de mal-entendido, o significado simbólico de expressões arcaicas
arianas como "Luz dos Homens", ou "Luz dos Campos" (Landa Ljome) aplicadas ao sol ficam
perfeitamente claras. Se pode pois compreender que o curso do sol ao longo do
ano, com suas fases ascendentes e descendentes, se tenha proposto em termos de
um grandioso símbolo cósmico. Nesta trajetória, o solstício de inverno
constituiu uma espécie de ponto crítico, vivido em uma perspectiva dramática
durante o período no qual os arianos originários não haviam abandonado ainda as
regiões, sobre as quais havia se decaído um clima ártico e o pesadelo de uma
longa noite. Nestas condições o ponto do solstício de inverno (o mais baixo da
eclíptica [círculo máximo da esfera celeste, que é a
interseção do plano da órbita terrestre com esta]) aparecia como aquele
onde "a luz da vida" parecia apagar-se, desaparecer, precipitar na
terra gelada e desolada, nas águas ou na sombra dos bosques, de onde,
imediatamente se eleva novamente emitindo uma nova claridade. Então, nasce uma
nova vida, se inicia um começo, se abre um novo ciclo. A "Luz da
Vida" volta a iluminar. O "herói solar" surge ou renasce das
águas. Além da escuridão e do frio mortal, se vive uma nova libertação. A
Árvore simbólica do Mundo e da vida se alenta com novas forças. Está em relação
com todos estes significados que, já na época da pré-história milênios antes da
era vulgar, um grande número de festas sagradas celebraram a data de 25 de
Dezembro, como data do nascimento ou renascimento, no mundo como no homem, da
força solar.
Poucos
sabem que inclusive a tradicional Árvore de Natal, ainda em uso em numerosos
países, mas relegado (desprezado) ao papel de
brinquedos para crianças e de costume para as famílias burguesas, é uma sobrevivência
miserável da antiga e severa tradição ariana e nórdica solar. Esta árvore,
sempre da família das coníferas, semper
virens, planta que não morre durante o inverno, reproduz a arcaica Árvore
da Vida ou do Mundo que, no solstício de inverno, se ilumina de uma nova luz,
expressada precisamente pelas velas que o decoram e que se iluminam nesta data.
Quanto aos presentes que se penduram e carregam seus ramos (hoje simplesmente
presentes para crianças) representam realmente o simbólico "dom da vida",
próprio da força solar que nasce ou renasce. Mas o momento onde o semper virens (a planta que permanece
verde e que não morre jamais) se renova e se ilumina no simbolismo primordial é
idêntico àquele no qual o "herói solar" surge das águas. Segundo um
mito que se perpetuou até a Idade Média, após haver representado/desempenhado
um papel importante nas lendas relativas à Alexandre Magno, a Árvore Cósmica é
também uma Árvore Solar em relação próxima com a chamada "Árvore do
Império", Arbor Solis, Arbor Imperii.
Isto nos
leva a considerar outro aspecto interessante destas tradições, que permitirá
nos referirmos mais particularmente à antiga romanidade. O Mitraísmo, ou o
culto à Mitra é a forma mais tardia assumida pela antiga religião
ariano-iraniana (Masdeísmo [também chamada Zoroastrismo])
em uma formulação particularmente adaptada à uma mentalidade guerreira. Este
culto se propagou no Império Romano; sob Aureliano, a data do "natal
solar" ou solstício de inverno, 25 de Dezembro, se identificava com a do Natalis Invicti, isto é, com o nascimento
de Mitra considerado como um herói solar.
A propósito
do Mitraísmo em Roma seria muito superficial por não dizer equivocado, falar sic et simplicer, de
"importação" ou de "influência orientais". O Oriente
naquela época era muito complexo, faziam parte indivíduos muito heterogêneos, e
entre eles, indubitavelmente, alguns caráteres importantes e não corrompidos da
mais antiga herança espiritual dos povos arianos e indo-europeus.
Quanto à relação
que se estabeleceu entre Mitra e o Natal Solar Romano, um eminente estudioso
confirmou pertinentemente que não constituía uma alteração, senão mais bem uma
renovação do calendário romano segundo o antigo aspecto astronômico e cósmico,
que houve nos tempos primordiais de Rômulo e de Numa (Numa
Pompilo, sucessor de Rômulo) e que conferia às festas o significado de
grandes símbolos na coincidência de suas datas com as grandes épocas da Vida do
Mundo.
Após o
qual, se torna importante examinar o atributo de Invictus-Aniketos, dado à Mitra, ao herói solar na nova
concepção romana. É um atributo "triunfal". Nas tradições
ariano-iranianas originárias, e nas quais lhes são próximas, é o atributo de
qualquer natureza celeste e, em particular do sol (cuja luz triunfa sobre as
trevas), força urânica luminosa contra a qual as potências da noite e da
sombria terra são importantes. Mas em Roma, vemos que o epíteto (em gramática: adjetivo qualificativo que indica uma qualidade
natural do nome ao qual acompanha, sem distinguir-lo dos demais de seu grupo,
exemplo: "branca" em "neve branca" é um epíteto) Invictus se converte no título
imperial dos Césares; e sabemos, por outra parte, que o Mitraísmo era menos o
culto à uma divindade abstrata que a vontade de infundir (despertar) os iniciados, graças à uma certa
transformação de sua natureza, a qualidade própria de Mitra. O que explica a
tendência a compreender simbolicamente e analogicamente o atributo solar,
dotando dele o homem e tornando-lo o símbolo e o tipo de um ideal superior de
humanidade, isto é, de uma supra-humanidade. Igualmente que o sol renasce,
eterna e vitoriosamente das trevas, igualmente uma eterna vitória interior
sobre a natureza mortal e instintiva se realiza no indivíduo que uma virtude
mística se torna, em geral, verdadeiramente digna da função régia, do chefe, do
Dux. É assim como Roma venerou
Mitra e em Mitra se venerou o herói solar, um fautor imperii e como se estabelecia uma próxima relação de
simbolismo solar com as idéias de realeza e de Império, sob sua forma mais
elevada.
Tal relação
teve um relevo particular nas tradições heróicas dos antigos povos arianos,
como já dissemos estudando a doutrina mística da "glória". Não
desejando nos determos nisso, nos limitaremos a recordar a presença de
significados idênticos na antiga Roma. A Victoria
Caesaris, isto é, a força triunfal mística simbolizada por uma estátua que
se transmitia de um César à outro, refletia exatamente as mais antigas
tradições ariano-iranianas da realeza e do Hvareno; pois não esqueçamos
que o Hvareno equivalia à uma misteriosa força solar de invencibilidade
e de glória que se conferia aos chefes, tornando-los algo mais que simples
mortais e testemunhando sua vitória.
Uma antiga
efígie do Sol representa este deus simbólico com a mão direita elevada em gesto
"pontifical" de proteção e a mão esquerda segurando um globo, símbolo
da dominação universal. Em outra representação, porém, se pode ver este Deus
que transmite o globo ao Imperador, junto com uma inscrição referindo-se à
"solidariedade", à estabilidade e ao Imperium de Roma: SOL CONSERVATOR ORBIS, SOL DOMINUS ROMANI
IMPERII. Outro medalhão particularmente interessante tem, no anverso, a imagem
do Imperador com a cabeça cingida (coroada) do semper virens, com a folhagem sempre
verde, enquanto que o reverso representa o deus solar com o globo e além disso,
uma suástica (do qual constatamos assim a presença igualmente na Roma Antiga
deste símbolo) e a inscrição: SOLI INVICTO COMITI (ao Deus Solar, companheiro
invencível). Outra imagem, conservada no Museu do Capitólio, nos mostra a
associação do símbolo do Sol Sanctissimus
com a águia, o animal fatídico de Roma, do qual se acreditava que levava o
espírito e a alma dos Imperadores mortos distantes da pira funerária, para o
céu. Não pensemos que seja casual afirmar que estas provas, que se poderia
multiplicar, nos falam de um verdadeiro e real mandato divino solar, alma
vivente da função imperial dos Césares que, para nós, no mundo antigo, foi uma
espécie de última luz de significados arcaicos que se perderam pouco a pouco.
Na antiga
semana romana, o "Dia do Sol", era o dia do mestre, e este sentido se
conservou nas épocas sucessivas sob o vocábulo domenica em italiano, sonntag
em alemão ou sunday em inglês para
este dia que festeja literalmente o "Dia do Sol" refletindo assim a
antiga concepção solar ariana. Algo da sabedoria das origens parece, pois,
haver-se conservado, de certa maneira, na festa anual de Natal, embora a
celebração do novo ano se tenha dissociado. O simbolismo da luz se conservou (e
se recordarmos, também no Evangelho
de João se diz: "Erat Lux vera, quae
illuminat omnem hominem venientem in hunc mundum" — assim como o
atributo de "glória" que permanece posteriormente. Nos monumentos do
primeiro período romano o símbolo solar está unido ao da cruz.
Na tradição
ariana e nórdico-ariana e em Roma, o próprio tema teve um alcance não só
religioso e místico, mas também sagrado, heróico e cósmico ao mesmo tempo. Foi
a tradição de um povo, ao qual a natureza, a grande voz das coisas falaram de
um mistério de ressurreição, de nascimento ou de renascimento de um princípio
não somente de "luz" e de vida nova, mas também de Imperium, no sentido mais alto e
mais augusto (venerável; honorável) da palavra.
Traduzido
por Nacionalista88